Cenas da participação de Paulo César Pinheiro no Retratos de Artista

O Café 104 ficou lotado. Quem estava lá se deliciou com uma prosa boa sobre a história desse compositor e de sua relação com a música brasileira e com o gesto de criar e se entregar à música com o vigor de quem já tem mais de 1.300 composições gravadas e cerca de 700 ainda inéditas. Salve Paulo César Pinheiro! (As fotos são de Ana Alvarenga)





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Rara: um dos três frutos da parceria de Paulo César Pinheiro com o mineiro Flávio Henrique


https://soundcloud.com/via-sonora/09-n-o-tive-mais-o-que-te-dar

Cantado aqui por Marina Machado

Para chegar hoje ao Café 104

É hoje! Paulo César Pinheiro conversa com Sérgio Santos às 19h30. São 120 lugares. Venham mais cedo! O café abre às 18h.
Vá de ônibus, táxi, bicicleta ou metrô (Estação Central)
Para quem for de carro - Estacionamento conveniado: Park Box Av. Santos Dumont, 218 | R$5,00 (preço único) | (Trecho com trânsito local em função da implantação do BRT, fique atento à sinalização)

Retratos de Artista na imprensa hoje

No Hoje em Dia

No jornal O Tempo

Do site da UFMG


Paulo César Pinheiro e sua história antiga com Minas


Paulo César Pinheiro tem uma relação antiga e muito profunda com Minas. A geografia, a história e os mineiros. Um pouco, claro, por ter sido casado com uma mineira, Clara Nunes. E também pelas vivências ao longo da vida. “O escritor que eu mais admirei na vida era mineiro, Guimarães Rosa. Sempre tive muita ligação com Minas: sua tradição, cultura, literatura.” Paulo César gosta de lembrar um concurso popular uns anos atrás que elegeu Desenredo (“Ê Minas, Ê minas, é hora de partir eu vou) como a segunda música mais emblemática de Minas, só perdendo para Peixe Vivo. “Tenho grandes parceiros em Minas. Um é o Sérgio Santos. Outro é o Sirlan, meu amigo e parceiro desde os anos 70.” Paulo César e Sirlan Antônio de Jesus fizeram juntos um musical, Gerais do Brasil, até hoje guardado no baú afetivo dos dois que ainda pensam em encenar ou gravar o conjunto de músicas. “É um trabalho lindo que revira Minas Gerais de trás pra frente”, definiu Paulo César Pinheiro.  




Sirlan Antônio de Jesus, músico, produtor, ex-diretor das rádios Inconfidência e Nacional do Rio de Janeiro, primeiro parceiro mineiro de Paulo César Pinheiro falou sobre os anos de amizade e a parceria:

Como vocês dois se conheceram?

Sirlan – Eu conheci o Paulinho no princípio dos anos 70. Eu fui baterista do MPB4 (desde 69). Lá nesse período conheci o Paulinho e Maurício Tapajós. E também porque a Clara era minha amiga. Eu a conheci em Belo Horizonte. Eu ficava um pouco no Rio, um pouco em BH. Em 72 quando fui participar do Festival internacional da Canção fiquei no Rio pra valer. Paulinho se apresentou com “Diálogos”, dele e de Baden. Eu defendi “Viva Zapátria”. Cresceu uma amizade muito forte entre nós. Começamos a namorar uma parceria. Uma vez, em uma passagem dele por Belo Horizonte, fui ao hotel em que ele estava, ficamos conversando e tocando comecei a tocar algumas músicas e ele daquele jeito peculiar falou: essa música tem cheiro de coisa de Minas, catedral. Essa outra tem cheiro de minério. Ele sempre diz que toda música já tem letra. A música já nasce com uma letra. A função do letrista é decifrar a letra que ali já existe, não acumular palavras sobre a melodia. Esse é Paulinho.  A música já tem uma carga, uma ideia. Isso difere as pessoas.



E como caminhou a parceria?

Sirlan - Deixei algumas músicas com ele, voltamos para o Rio. Na época ele estava com parceria com Dori. Passados alguns dias ele me liga. Me disse que já tinham 4 músicas prontas. Ele me disse que essas músicas queriam dizer uma história. E criei coragem e mostrei mais. Fizemos nessa época mais de 20 músicas. O MPB4 gravou “Cantiga de beira d'agua”. Foi a única gravada. Isso acabou virando o que chamamos “Gerais do Brasil”. A música que abre esse musical se chama “o cantador das Gerais”. Depois tem “Serenata De Diamantina”, “Mural de São João Del Rei”, “Os tamborzeiros”, “Canto da colheita”, “Os barqueiros do São Francisco”, "As Serras", “Os retirantes”, “Casa de Beira Estrada”, “Desafios de violas”, “Os ciganos da Mantiqueira”, “Dançadeira, que tem todo o jeito da Clara. Todas músicas minhas e letras do Paulinho. Isso ainda está inédito.

Ainda pensam em fazer o musical?

Sirlan- Queríamos fazer um musical com isso, mas tentativas que fizemos não deram certo na época. Ainda penso. São 22, 23 músicas. Continuei em contato com ele o tempo todo. Fazendo música, conversando, nos encontrando. Fizemos mais. Temos mais de 30 músicas juntos. Temos vivência de frequentar casa um do outro. Somos amigos há mais de 40 anos. Eu tenho saudade dele e sei que ele tem de mim. Já saímos para torrar muito porre, encostar no balcão para escutar a conversa dos outros. Em Belo Horizonte também, em lugares como a Cantina do Lucas, mas andamos muito mesmo foi pelo Rio de Janeiro. De vez em quando cometíamos a loucura de passar a noite em São Paulo e voltar na manhã seguinte. Pegávamos o primeiro voo de volta.

-O que você acredita que o singulariza na música?

Sirlan- O Paulinho é um grande poeta. Na mão dele letra de música vira poesia. Ele brinca, sabe usar as palavras. Ele é muito rebuscado e muito simples. Você pode enxergar a música dele como um leigo ou como um literato. A mensagem que ele quer passar nunca está escondido. O grande traço dele é que ele faz poesia maravilhosa e que qualquer pessoa entende. O assunto não fica às escondidas. O que ele está dizendo é claro. É bonito, refinado literariamente, mas qualquer pessoa entende entende e isso é maravilhoso. 

Da safra recente de Paulo César Pinheiro

Ele está em plena labuta criativa. Literatura, música, mais música. 
Apresentamos aqui apenas dois desses trabalhos mais recentes: seu último romance “Matinta, o bruxo”, que ele aproveita a passagem por Minas para apresentar ao público de BH pela primeira vez na quarta; e o CD “Candeia Branca”, da mulher , a cavaquinista Luciana Rabello, com letras dele.


"Matinta, o bruxo, segundo romance do compositor e poeta Paulo César Pinheiro, é fruto do acasalamento de duas das mais belas canções da música popular brasileira, Sagarana e Matitaperê, esta última em parceria com Tom Jobim. A narrativa, do hibridismo do enredo das letras, nos faz lembrar do estilo tão único de João Guimarães Rosa, de quem Paulo César Pinheiro leu a obra ainda menino e o qual viria a se tornar uma referência notável em seu estilo, fartamente temperado com neologismos e bastante sensível ao falar popular. Após encontrar a esposa com outro homem, João comete um crime. Por meio de uma fuga forçada, Paulo César Pinheiro pinta um quadro intenso e expressivo, tanto da paisagem natural como da realidade social a envolver a rusticidade da vida do sertanejo. Se muitas vezes não há quem olhe por eles, aqui há Matinta, o pássaro bruxo cujo canto místico oferece amparo e orientação até o fim." (do site da Editora Leya)"


CANDEIA BRANCA - "Luciana Rabello tem uma carreira já longa, dedicada especialmente ao choro, iniciada em 1976, no conjunto Os Carioquinhas - formado por ela e pelo seu irmão Raphael Rabello, Mauricio Carrilho, Celsinho Silva, Paulo Alves e Celso Cruz. Daí pra frente, seu cavaquinho esteve presente em incontáveis shows e discos de diversos grandes artistas, como Elizeth Cardoso, Paulo Cesar Pinheiro, Chico Buarque, Paulinho da Viola, Radamés Gnattali, entre outros. Agora a Acari Records lança CANDEIA BRANCA, primeiro CD com as músicas cantadas dessa compositora. E Luciana nos surpreende novamente cantando ela mesma essas composições, frutos da também longa parceria com o poeta Paulo Cesar Pinheiro, com quem é casada desde 1985. Desse casamento nasceram dois filhos – Ana e Julião – ambos músicos e compositores – e muitas músicas! No repertório, uma seleção de 14 delas, de diversos gêneros: samba afro, samba-canção, valsas, maculelê, baião e aqueles sambas tipicamente cariocas com indispensável acompanhamento de regional. E o poeta também foi surpreendido com o samba Teu Amor, dedicado a ele - única faixa em que Luciana assina música e letra." (Da Acari Records)
Para saber mais ou comprar o CD acesso o site da Acari Records.

Rádio Retratos

O jornalista e pesquisador de música Flávio Henrique Silveira (um dos produtores do Retratos de Artista) fala da importância de Paulo César Pinheiro para a música brasileira, seus parceiros, história e passeio por gêneros e épocas.




Paulo César Pinheiro conversa com o público de BH no dia 16 de abril, próxima quarta, a partir de 19h30, no Café 104 (Praça da Estação, centro).
Entrada gratuita mediante ordem de chegada e restrita a 120 lugares. Cheguem mais cedo. O café abre às 18h!





Do Jornal Pampulha - sobre nosso convidado do dia 16 de abril


Diariamente, de segunda a segunda, pela manhã, enquanto você tenta engatar o dia, entre a sonolência e a correria, Paulo César Pinheiro está sentado diante de uma folha de papel em branco. Todos os dias. “Fico esperando acontecer alguma coisa. Quando não acontece nada, pelo menos estou exercitando a escrita. Mas sempre vem algo. Eu não posso precisar o que vai nascer – pode ser verso, melodia, uma ideia teatral. Fico à mercê”, diz o compositor, poeta, romancista e dramaturgo. O ritual é o que ele entende como rotina de trabalho, mas também como certa obsessão pelo fazer artístico. “Sou escravo da criação. Está aí uma liberdade que eu não quero ter”, decreta.
Só isso explica sua vasta e volumosa obra, que será tema de bate-papo com o artista na próxima quarta-feira (16), no CentoeQuatro, dentro do projeto “Retratos de Artista: Molduras do Pensamento”. Há exato meio século em desenvolvimento, quando Paulo escreveu seus primeiros versos em 1964, “Viagem” (com João de Aquino), a produção do carioca soma hoje mais de 2 mil composições (feitas em parceria, dentre muitos outros, com Tom Jobim, Baden Powell, Francis Hime e gravadas por, dentre vários, Elizeth Cardoso, Elis Regina e Clara Nunes, com quem foi casado), 12 discos gravados, 18 livros e duas peças de teatro, segundo o próprio Paulo, que deixa a conta em aberto.

Ideias para novos romances (seus últimos três, produzidos em menos de três meses, foram lançados em 2009) ele diz ter várias. “Está tudo rascunhado. Está me faltando tempo. 24 horas está pouco”, reclama, mesmo afirmando nunca ter tirado férias da criação em toda sua vida. Na falta de tempo para dar prosseguimento às novas ideias literárias, ele lança no fim deste mês o livro “Sonetos Sentimentais para Violão e Orquestra” (Ed. 7 Letras), com cerca de 200 sonetos escritos nas últimas décadas. “São sonetos que tratam de todos os caminhos sentimentais – românticos, carnais, eróticos”, descreve.
Maracatu 
Está a caminho também sua terceira peça de teatro, sobre o maracatu. Ao lado de “Besouro Cordão de Ouro” (2006), sobre o mais importante capoeirista brasileiro, e “Galanga Chico-Rei” (2011), sobre o congado o mineiro, o novo texto vai fechar uma espécie de trilogia. “São três manifestações musicais brasileiras muito fortes, além do samba, e estou querendo fazer um tripé da raiz musical do Brasil”. A ideia, ele assegura, está na cabeça. Só falta tempo para sentar e escrever.
Em sua passagem por Belo Horizonte, na próxima semana, Paulo César deve produzir mais. Diz já ter combinado de se encontrar com o compositor mineiro Sérgio Santos, o parceiro com quem criou mais músicas (está beirando as 200, ele diz), para acertar novos trabalhos. “O Sérgio tem esse talento de musicar versos, então a nossa produção praticamente dobrou. Ele manda as músicas pra eu fazer a letra e, ao mesmo tempo, eu mando versos pra ele musicar. Aí, ao invés de fazer cinco músicas, a gente faz dez”, diz sobre a dinâmica da parceria que já dura vinte anos.

Sérgio integra o grupo de centenas de compositores com quem Paulo César um dia sentou-se para fazer o casamento entre letra e música. Se enfileirados em uma linha do tempo, esses parceiros ocupariam toda a extensão da história da música brasileira em um intervalo de um século. Começaria com Pixinguinha, nascido há 118 anos, e terminaria (por enquanto) com Joaquim Carrilho, nascido há 18, filho de outro parceiro de Paulo, Maurício Carrilho. “É um negócio espantoso pra mim. Estou na quinta geração, fazendo música com os filhos dos meus parceiros. Meus parceiros mais novos me renascem, me sinto sempre vivo, não envelheço nunca”, reflete.
Tecnofobia
Espantoso também é o trabalho com que o artista se deparou ao tentar organizar e arquivar todo o material referente à sua obra. Reconhece que vai ser preciso tempo, paciência e a ajuda de alguém. “Sou muito desorganizado e tecnofóbico, não faço nada em computador, até hoje é papel e caneta, e tudo isso está jogado em gavetas”, admite. 

Das gavetas para a tela grande, sua produção musical será tema de documentário ainda em produção. O longa vai mostrar ao público a face anônima do pai de temas populares como “Portela na Avenida” e “Canto das Três Raças”, apesar de esse tipo de exposição nunca ter sido seu interesse. “Nunca quis ser conhecido. Prefiro tomar cerveja num balcão de bar e escutar as pessoas sem que elas saibam quem eu sou. Elas são a matéria-prima da minha obra e, se elas souberem que estou ali, vai ser diferente. Sou mais minha obra que minha cara. O que vai ficar é o que eu escrever”.
Retratos de artista: molduras do pensamento 
CentoeQuatro (Praça Ruy Barbosa, 104, centro, 3222.6457). Dia 16 (quarta), às 19h30. Entrada gratuita mediante ordem de chegada (120 lugares).

Sobre as canções de Paulo César Pinheiro


Para apresentar um pouco do vastíssimo universo cancioneiro de Paulo César Pinheiro, nosso convidado do dia 16 de abril, pegamos emprestada uma resenha do livro “História das Minhas Canções”, de autoria dele (do blog http://terrapapagalli.blogspot.com.br/).



Nesse livro, em homenagem a Paulo César Pinheiro, o próprio compositor selecionou 65 canções, em meio à sua vastíssima produção, para revelar histórias guardadas além das letras e das melodias. Juntas, elas compõem a linha mestra da obra de Paulo César e ilustram também importantes páginas da história da música popular brasileira.


Paulo César Pinheiro, compositor prolífico, de mais de 1000 músicas gravadas num universo de 2000 compostas, possui uma trajetória peculiar. Sua gama de parceiros vai de Pixinguinha a Lenine, passando por João Nogueira, Baden Powell, Joyce, Tom Jobim, D. Ivone Lara - para citar poucos.  Ao longo de mais de 40 anos de carreira – iniciada profissionalmente com a gravação de “Lapinha” por Elis Regina, em 1968 – conviveu com outros grandes nomes da MPB, intérpretes, arranjadores, músicos, poetas. Participou dos populares festivais de música da década de 60; acompanhou o surgimento da bossa nova, a evolução das escolas de samba, a censura sistemática à música e o esforço, também constante e intenso, para superá-la.

Faz parte dessa época, por exemplo, a canção “Pesadelo”, feita com a intenção de ser um protesto explícito, já que Paulo César estava cansado das metáforas compulsórias. O grupo MPB-4 adorou a canção, mas tinha certeza de que não passaria pela censura. Se passasse, gravariam, foi a aposta que fizeram- e que Pinheiro ganhou, usando uma ardilosa artimanha, narrada em detalhes no livro.


Numa linguagem informal, como se batesse um papo com o leitor numa mesa de bar, Pinheiro vai desfiando deliciosas histórias que envolvem algumas de suas músicas mais conhecidas. “Tô voltando”, por exemplo, sucesso na voz de Simone, nasceu de um telefonema do parceiro, o músico Maurício Tapajós, que após meses de turnê pelo país dizia-se cansado; só lhe consolava pensar que estava voltando. A frase permaneceu martelando na cabeça de Pinheiro e, com a volta de Tapajós, virou canção. Que tempos depois, se tornaria um hino da anistia e do retorno dos exilados políticos ao Brasil – para orgulho do autor, mesmo não tendo sido esta a inspiração inicial. Aliás, são várias as situações narradas em que as músicas tomam rumos inesperados: numa viagem à Cuba, por exemplo, o autor ouviu e acompanhou anonimamente, numa espécie de luau, uma versão em espanhol de “Vou deitar e rolar” (também conhecida por “Quaquaraquaquá”, imortalizada na voz de Elis Regina).

Generoso, o poeta compartilha intimidades da criação e as idiossincrasias do compositor – que não gosta de fazer parceria com quem não conhece, por exemplo. Descreve as muitas formas pelas quais os caprichosos deuses da música se expressam - e essa variedade de manifestações, contadas em minúcias, consiste em mais uma qualidade do livro.  Nele, o leitor acompanhará detalhes sobre a canção que demorou 20 anos para ser concluída; a que surgiu na mente quase inteira (como se fora uma mensagem recebida misteriosamente), canções que foram fruto de desafios; outras feitas durante longos períodos - em um trabalho semelhante à carpintaria das letras, da descoberta da melodia por trás das palavras e vice versa.  

A motivação para compor vem das mais diversas situações: desde atender ao desejo da estrela da MPB que quer mostrar sua virtuose a uma iniciante (“Cai dentro”), até celebrar a recuperação do amigo, depois de meses de sofrimento por causa de uma separação (“Refém da solidão”). “Portela na avenida” foi a resposta ao pedido da portelense Clara Nunes, sua mulher na época, que queria exaltar a escola. Pinheiro impôs-se o desafio de fazer algo no mínimo à altura de “Foi um rio que passou em minha vida”, de Paulinho da Viola. Tentou durante algum tempo, mas foi preciso desistir para poder perceber finalmente a imagem que dispararia sua inspiração. Também para Clara, após sua morte e instigado pelo amigo e parceiro João Nogueira, Paulo César compôs “Um ser de luz” - que nunca conseguiu cantar.


Outra característica interessante na carreira de Paulo César Pinheiro é o fato de ter transitado entre diferentes gêneros, movimentos e grupos, sem nunca ter se fixado exclusivamente em um deles. Assim, mesmo identificado com o samba em grande medida, surge vigoroso afirmando: “Eu sou mameluco/sou de Casa Forte/sou de Pernambuco/eu sou o Leão do Norte”, os versos que fez para o amigo e parceiro Lenine.  

“Histórias das minhas canções” começa com “Viagem”, parceria com João de Aquino feita aos 14 anos - entre um jogo de bola de gude e o olhar de censura do pai. A narrativa, no entanto, não segue uma ordem cronológica, mas afetiva. Assim, o leitor navega em diferentes épocas da música e da cultura brasileira; passeiam pelas páginas do livro figuras ilustres e variadas como Carlos Drummond de Andrade, Dorival Caymmi, Tom Jobim, Aldir Blanc, Mauro Duarte, Sivuca. Uma viagem completa e emocionante pelos últimos 40 anos de história da MPB.

Pequena amostra da genialidade de Paulo César Pinheiro

Mais de 2.000 composições, 1.000 músicas gravadas desde o início com 14 anos. Desde cedo, andando pelo Rio de Janeiro com Baden Powell e demais bambas que tiveram sensibilidade para ver o poeta na alma transparente daquele menino. 

Aqui uma pequeníssima seleção de letras dele só para lembrarmos da grandiosidade de Paulo César Pinheiro que vem conversar com os mineiros logo logo, no dia 16 de abril. 



Refém da Solidão, com Baden Powell


Canto da Água, do CD Rimanceiro de Sérgio Santos, lançado neste ano.

Nomes de favela, dele só. Aqui cantado por Leci Brandão


Matita Perê, com Tom Jobim


Paulo César Pinheiro participa do Retratos de Artista ao lado do seu parceiro mineiro Sérgio Santos no dia 16 às 19h30 no Café 104 (Praça da Estação, BH). Entrada gratuita e por ordem de chegada, LIMITADA A 120 LUGARES. O café abre às 18h!